A vida é uma densa nuvem de 

fumaça, que se esvai ao soprar

da mais tênue brisa.

                 

A morte é a prova incontestá-

vel e mais contundente da in-

significância do ser. 

           

Foi no passado que construí

o meu presente. Como 

esquecê-lo?

GÉRSON de A. Matos

 

 



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Coincidências
Coincidências

Coincidências I

Em uma de nossas viagens a Londres, D. Marta, uma amiga nossa de Salvador, pediu-nos que levássemos um DVD para sua filha Sachiko, que residia naquela cidade. Ao chegarmos a Londres, ligamos para Sachiko e combinamos um local em “Piccadilly Circus” para nos encontrarmos e entregar-lhe a encomenda.

No dia seguinte, encontramo-nos no local combinado e, após a entrega do DVD, Sachiko informou-nos que estava de folga e poderia passar o dia conosco se assim o desejássemos. Claro que aceitamos a proposta! Já conhecíamos Londres, mas é sempre bom ter por perto alguém que conheça melhor a cidade, pois assim perderíamos menos tempo com os deslocamentos para os locais que pretendíamos visitar.

Foi um dia muito proveitoso. Almoçamos juntos, visitamos museus, alguns pontos  turísticos e ela nos falou da sua vida em Londres e também dos amigos e amigas que fizera. Dentre as amigas, citou Alana, uma brasileira, com quem saía de vez em quando.    

À tarde, quando nos separamos, Sachiko foi para casa e nós demos continuidade a nossa vidinha difícil de turistas. Retornamos a “Piccadilly Circus” e aproveitamos o resto do dia para conhecermos melhor a região e seu entorno.  Havíamos alugado um "studio" por 10 dias em um edifício próprio para aluguéis a turistas, no Bairro de “Gloucester Road”. Esse edifício fica próximo à estação “Gloucester Road” da linha “Piccadilly” do Metrô.

Por volta das 21 horas, após tomarmos alguns chopinhos no “Pub” “St. James” em “Piccadilly”, pegamos o metrô para o bairro onde estávamos hospedados. Como o metrô estava lotado àquela hora, ficamos em pé conversando. No assento mais próximo a nós dois (eu e Mary), uma moça notando que falávamos português perguntou-nos se éramos brasileiros. Respondemos que sim e ela disse que era também brasileira, de Porto Alegre. – Nós somos de Salvador – dissemos. – De Salvador! Ela mostrou-se admirada. – Eu tenho uma amiga aqui em Londres que é de Salvador. – Qual é o nome de sua amiga? Perguntamos. Sachiko – ela respondeu. – Sachiko! Agora nós é que estávamos admirados. − Então você é Alana? Sim, sou Alana. Conversamos um pouco com Alana, e descemos na próxima estação. Na noite seguinte, nos encontramos com as duas e comentamos sobre a coincidência.   

Obs.: Embora o acontecimento tenha sido real, os nomes das pessoas envolvidas são

          fictícios. Preferimos manter as verdadeiras personagens no anonimato. Qualquer

          semelhança com os nomes fictícios é simplesmente outra coincidência.    

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 Coincidências II

Naquela manhã ensolarada de dezembro, eu caminhava pela calçada do Porto da Barra em Salvador na direção do Farol. Subitamente, meu pensamento voltou-se para a cidade de Coaraci, na Região Cacaueira da Bahia, onde conheci Nilson Barros. Ele era funcionário do Banco do Brasil em Coaraci e eu trabalhava na CEPLAC na mesma cidade, quando nos conhecemos e tornamo-nos amigos. Sempre alegre e bonachão, Nilson foi apelidado de “Barrão” pelos seus colegas do banco e assim era conhecido pelos muitos amigos que cultivava.

Após quatro anos em Coaraci, pedi demissão da CEPLAC para assumir no Banco do Nordeste do Brasil em Itabuna, onde Nilson já se encontrava, pois para lá fora transferido pelo Banco do Brasil. Nossa amizade continuou em Itabuna e, coincidentemente, fomos colegas no primeiro ano do Curso de Letras na FAFI – Faculdade de Filosofia daquela cidade.

Concluído o primeiro ano na FAFI, após uma tentativa frustrada de mudança para os Estados Unidos, solicitei ao BNB transferência para Salvador, onde ingressei na Universidade Católica no Curso de Administração de Empresas. Passados seis anos em Salvador, fui transferido para a agência do BNB no Rio de janeiro.  Ali, trabalhei durante dez anos e retornei à Agência Centro do Banco em Salvador.

Vinte e cinco anos haviam-se passado desde o dia em que deixei a cidade de Itabuna. Nesse lapso de tempo, havia perdido contato com meu amigo. Enquanto caminhava lentamente, observando a praia do Porto, que fervilhava de banhistas, seu nome veio-me à lembrança novamente. Por onde andará Nilson Barros? − Pensei. Faz tanto tempo que não nos vemos nem nos comunicamos.

Caminhei mais ou menos uns trinta metros, lembrando-me das piadas que ele contava com aquele sorriso largo e contagiante que alegrava a todos. De repente, ao desviar um pouco o olhar da praia, com quem me deparo? − Nilson Barros, seu malandro! Por onde anda você, rapaz? Há pouco instante lembrei-me de você e dos nossos amigos de Coaraci e de Itabuna.

Foi uma festa da qual jamais me esquecerei, principalmente por que aquela foi a última vez que vi o seu sorriso contagiante. Uns dois anos depois meu amigo Nilson partiu para a eternidade onde, certamente, coincidências como esta não existem.

 

Gérson Matos

                      

Todos os dias, sob

todos os aspectos,

estou  cada  vez 

melhor.

            ***

Perdedor é aquele que

não sabe o que fazer

quando ganha; vencedor

é aquele que sabe o que

fazer quando perde.

Provérbio chinês 

           ***  

Não importa qual seja a 

idade. Quando a morte

chega, sempre interrom-

pe um sonho.

GÉRSON de A. Matos

 

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